.

trago o peito
opresso,
trago estrelas
nos olhos
, o corpo
cansado e
uma urgência
por sentar-me;

bato às portas
da cidade,
amor, não.
nem pressa
não trago.

mas um gole
de um café
amargo
e as costas
a doer-me

diz-se do homem, que busca felicidade, que age, por natureza, em busca do amor e do bem. eu considerei ali em cima o seguinte: a busca pela felicidade é característica apenas daquele pra quem a felicidade está colocada como possibilidade, como algo alcançável. há uma imensidão de pessoas, vida real, que não tem a felicidade como meta palpável. e a Vanessa argumentou: Acredito que todo o ser humano deseja a felicidade e ser amado. Penso que a felicidade é diferente para cada um, para alguns pode ser um prato de comida ou quem sabe….  poder enterrar seus mortos. e ainda o Wallace diz: […] Ele (o Egocentrismo) faz parte de nossa configuração padrão, vem impresso em nossos circuitos ao nascermos. [alerta: rsrs o texto daqui pra frente pode parecer abstrato e academicista, mas peço que atente para o quão vivo é assunto e o apelo que tudo isso tem na nossa própria realidade] dizer que todo ser humano busca felicidade é, primeiro, considerar que há coisas que todo ser humano, cerca de sete bilhões de seres vivos, fazem exatamente igual ou, como diz Wallace, compartilham uma configuração padrão; e, segundo, que nessa configuração, impresso em algum lugar do circuito, está o “código” que nos impele à busca da felicidade. por esse caminho, deve-se também considerar que os atos práticos, cotidianos dos sete bilhões de seres humanos que vivem no mundo devem todos se dar na busca pela felicidade… e como pode que não sejamos então, e nisso concordamos, que não sejamos felizes? aí tem uma coisa: felicidade é diferente para cada um; mas e se a felicidade de um for a tristeza de outro, e mais, se a felicidade de um for a própria tristeza? é possível? tem que ser pra que se possa considerar a busca pela felicidade como parte de uma natureza humana, caso contrário, haveria seres humanos, bilhões deles, que violentam a própria natureza, ou seja, que não compartilham do que se chama natural. esses são os loucos, os psicopatas, sociopatas, esses são os sujeitos que devem ser mantidos à margem da sociedade pra que a planificadora ideia da busca pela felicidade se mantenha aceitável. a “realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud” se alimenta na desconsideração da variação. pois eu não vejo a possibilidade de uma natureza humana. vejo sim que a arisca existência humana não aceita a coleira de algo estático como uma “natureza”. nas palavras de Sartre: “a existência precede a essência”. seres humanos não tem natureza, mas possibilidades que surgem no contexto de sua existência. bem entendido, o que digo é que as condições concretas da vida de uma pessoa determinam a forma como ela será na vida, a forma como se relacionará com o mundo e com os outros seres no mundo. assim, da forma como eu entendo as coisas, se vamos debater, por exemplo, a liberdade, devemos compreender essa liberdade não como um bem individual que se pode atingir a partir duma mudança pessoal na forma de encarar o mundo, ao menos não só como tal. a liberdade depende também e, penso, preponderantemente de condições concretas, ou seja, de um contexto de vida em que a liberdade possa ser expressada. e não falo apenas do engarrafamento, da fila no super, falo de algo anterior a isso, falo da própria espinha dorsal da sociedade em que vivemos. e de tudo, mais.
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Uma resposta para “.

  1. isso aqui é o ringo!

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